09 novembro 2011

Descubra as diferenças...


"O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, vai pôr o cargo à disposição do Presidente da República, Giorgio Napolitano, depois de aprovadas as primeiras reformas económicas exigidas pela União Europeia, anunciou a presidência italiana.

De acordo com o jornal italiano Corriere della Sera, o comunicado de Napolitano frisa a necessidade da aprovação do pacote de reformas antes de haver lugar a mudanças políticas. 

O Presidente tem consciência das implicações do resultado da votação de hoje na Câmara, mas, ao mesmo tempo, expressa a sua profunda preocupação com a necessidade urgente de dar respostas precisas às expectativas dos parceiros europeus», enuncia a nota do Palácio do Quirinal.

Uma vez concluído este requisito, o primeiro-ministro porá o seu mandato à disposição do Chefe do Estado, que realizará as consultas necessárias, apreciando as posições e propostas de cada força política - quer da maioria que saiu das eleições de 2008, quer dos partidos da oposição» conclui Giorgio Napolitano.

Em declarações à Associated Press, o ainda líder do executivo italiano afirmou que a sua demissão «é para o bem do país» e «mais importante» do que a questão sobre «quem lidera, ou não, o governo» do país."
(in Sol)

Itália à semelhança do que aconteceu com Portugal encontra-se na eminência  de ter de solicitar a entrada do FMI. Mas as semelhanças acabam aí...

Os agentes políticos italianos comummente apelidados de os mais irresponsáveis e nível europeu, provam com esta estratégia de saída de Berlusconi que, ainda assim, são muito melhores que os nossos.

É simples, em Portugal a reacção ás dificuldades foi o derrube por via de eleições antecipadas do Governo com as graves consequências económicas que todos sabemos. Os italianos, "esses irresponsáveis" souberam perceber que fazer isso seria tão só prejudicar o país.

Não se trata de qualquer conivência com o Governo Berlusconi, trata-se tão só de entender que há interesses mais importantes que o mero interesse da côr partidária.

É caso para os italianos dizerem: "E o burro sou eu?"

Descubra as diferenças...

08 novembro 2011

Não há muito a dizer sobre isto...

Jardim dá tolerância de ponto para assistirem à sua posse

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, assinou um despacho concedendo tolerância de ponto aos funcionários da administração regional para que estes possam assistir cerimónia de posse do novo Executivo, avança esta terça-feira a TVI24, apresentando o despacho, a que teve acesso. Desta forma, os funcionários públicos e trabalhadores das empresas públicas da Região têm tolerância de ponto a partir das 14:00 desta quarta-feira para «assistirem, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social» à «tomada de posse do novo Governo Regional», agendada para as 17:00.

(in Diário Digital)

Jacques Fresco

07 novembro 2011

Diferenças? Alguém? Dá-se alvíssaras...



Chegados a 6 meses de governação PSD, na pessoa do então "Sacro-Santo" Pedro Passos Coelho, jovem quase imaculado, cheio de boas intenções e esperança de alguns, há que perguntar: Valeu a pena?

Tinhamos um Governo que era mau (porque era de facto), gerido de fora para dentro, isto é, do clientelismo para a população, de sentido unico no que a esse aspecto respeitava... Mas, e agora? Ao fim de 6 meses de "D.Sebastião", de esperança renovada, estamos melhor?

Valeu a pena votar?

A resposta a esta e às outras perguntas só cada um pode dar, eu, pela minha parte ofereço alvissaras a quem conseguir identificar diferenças significativas entre estes Governos...

Embora se trate de "proposta não séria", parece-me pertinente lembrar que foram os mesmos que hoje são Governo, na altura oposição, que provocaram eleições antecipadas, sob o pretexto de "Aos portugueses não podem ser pedidos mais sacrificios!". Com a crise politica vieram os consequentes cortes de rating da divida publica e inevitável pedido de ajuda ao FMI

Após eleições, os portugueses elegeram um Governo que tem maioria parlamentar e um Presidente da Républica da "casa". Ou seja, colocaram na mão dos Governantes todas as condições possiveis para "Governar", de facto... a sério...

Não obstante o caminho escolhido foi o mais facil... atacar os portugueses pugnando por um equilibrio de contas através de receitas, mais ou menos extraordinárias, e fingindo um corte da despesa pela "magia" da fusão de Institutos e extinção de meia duzia de Fundações (sobre este mito voltaremos).

Ficou claro que por melhor vontade que haja (e esta eu já dou de barato), o clientelismo do sistema piramidal mafioso que são os partidos politicos em Portugal, impede qualquer mudança séria e profunda. Porque para isso é preciso obrigar gente inutil e parsitária a encontrar um emprego e para isso não há coragem politica.

Portugal não está igual, está pior! E isto não é demérito deste Governo ou mérito do anterior, também não é uma inevitabilidade de uma crise economica da zona euro. É simplesmente... Mais do Mesmo!

NOTA!

A ausência deste espaço foi intencional, dando 6 meses ao novo Governo para provar que tudo o que pensava, isto é, que uma mudança de Governo nada iria resolver, era errado.

13 outubro 2011



A Hipocrisia do Amor ao Povo  

Estes amam o povo, mas não desejariam, por interesse do próprio amor, que saísse do passo em que se encontra; deleitam-se com a ingenuidade da arte popular, com o imperfeito pensamento, as superstições e as lendas; vêem-se generosos e sensíveis quando se debruçam sobre a classe inferior e traduzem, na linguagem adamada, o que dela julgam perceber; é muito interessante o animal que examinam, mas que não tente o animal libertar-se da sua condição; estragaria todo o quadro, toda a equilibrada posição; em nome da estética e de tudo o resto convém que se mantenha.Há também os que adoram o povo e combatem por ele mas pouco mais o julgam do que um meio; a meta a atingir é o domínio do mesmo povo por que parecem sacrificar-se; bate-lhes no peito um coração de altos senhores; se vieram parar a este lado da batalha foi porque os acidentes os repeliram das trincheiras opostas ou aqui viram maneira mais segura de satisfazer o vão desejo de mandar; nestes não encontraremos a frase preciosa, a afectada sensibilidade, o retoque literário; preferem o estilo de barricada; mas, como nos outros, é o som do oco tambor retórico o último que se ouve.
Só um grupo reduzido defende o povo e o deseja elevar sem ter por ele nenhuma espécie de paixão; em primeiro lugar, porque logo reprimiriam dentro em si todo o movimento que percebessem nascido de impulsos sentimentais; em segundo lugar, porque tal atitude os impediria de ver as soluções claras e justas que acima de tudo procuram alcançar; e, finalmente, porque lhes é impossível permanecer em êxtase diante do que é culturalmente pobre, artisticamente grosseiro, eivado dos muitos defeitos que trazem consigo a dependência e a miséria em que sempre o têm colocado os que mais o cantam, o admiram e o protegem.
Interessa-nos o povo porque nele se apresenta um feixe de problemas que solicitam a inteligência e a vontade; um problema de justiça económica, um problema de justiça política, um problema de equilíbrio social, um problema de ascensão à cultura, e de ascensão o mais rápida possível da massa enorme até hoje tão abandonada e desprezada; logo que eles se resolvam terminarão cuidados e interesses; como se apaga o cálculo que serviu para revelar um valor; temos por ideal construir e firmar o reino do bem; se houve benefício para o povo, só veio por acréscimo; não é essa, de modo algum, a nossa última tenção.

Agostinho da Silva, in 'Considerações'

26 abril 2011

"Democracy is the worst form of government except from all those other forms that have been tried from time to time"
- Sir Wiston Churchill Em discurso na Casa dos Comuns, em 11 de Novembro, 1947